Querer (Pablo Neruda)
Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
"Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica." Sabino
Nem poeta nem artista, nenhum dos dois. Poderia ser , ao menos um, mas não sou. Não cumpro a frase ao lado. Não faço do sofrimento arte, não tiro da dor um texto nem das lágrimas uma bela foto. Mastigo e faço a digestão das minhas dores sozinho e calado. Não tiro delas ensinamentos, força ou ousadia.
"Quem é mais sentimental que eu?
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais"
Se eu sofro um pouco mais"
Vivendo uma tempestade num copo d'gua.
Fazendo da dor o maior sentimento do mundo.
Do amor a forca.
Da queda o fim.
"Quem é mais sentimental que eu?"
Viver não dói
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não
tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados
pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é
desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chega mos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi
vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável
O sofrimento é opcional.
CDA
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